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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Lembram-se da minha amiga?

Hoje tive notícias da minha amiga. A tal amiga que estava num lar depois de lhe ter dado um AVC. Lembram-se?
Pois ela continua internada no mesmo lar. A sua saúde é cada vez mais fraca.
Está medicadam pois além da doença que originou o seu internamento, também tem que fazer hemodiálise o que a tem deitado abaixo.
Custa-me muito ir vê-la. Já pouco me conhece. Aquela vontade que eu tinha de ser uma versão da Madre Teresa já se apagou.
Faltou-me a coragem; o sofrimento daqueles que se encontram em lares, por muito bom que pareçam ser, não há desculpa para aqueles que por este motivo ou por outros, descarreguem de cima dos seus ombros, aquelas que outrora deram muito daquilo que podiam , sacrifícios , trabalhos penosos que só eles sabiam fazer.
Hoje, não têm visitas, não conhecem a família, não conhecem os amigos, não conhecem os vizinhos que moravam porta com porta.
Tudo isto me entristece.
Estão numa sala com uma televisão em altos gritos, uns dormitam o dia todo, outros com os olhos muito esbugalhados e vidrados não estão lá.
Gostava de saber no que eles pensam até acabar o dia, porque no dia seguinte será o mesmo.
Gosto de falar com a menina Ana e com a menina Ivone-
Digo meninas porque são autênticas meninas apesar de terem ultrapassado a casa dos 80.

Riem-se comigo mas não sei se elas me entendem.
Sinto-me bem falando com elas.

A minha vizinha não me conhece, e que amigas que éramos!
Já tem oitenta e tal anos!
Mas se não fosse a doença ...

Ultimamente tenho ido menos vezes visitá-la, não é que me não lembre dela, mas custa-me vê-la naquele estado!
Quem me lê não tem nada a ver com isto, mas apenas um conselho: amem os vossos velhos, mas atenção, não lhes chamem velhos porque eles não gostam!
Até a uma próxima oportunidade.
Esta vossa amiga,
Maria

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A minha Primavera

O Inverno já se foi,
a Primavera está a chegar,
meu coração já não dói
de tanto frio apanhar.


Daqui para a frente
somente calor terá,
passará a ser outra gente
um coração novo será.


É a Primavera que renasce,
minha alma será diferente
com calor se reveste,
enfim, serei de novo gente.


Alegria irei ter
com a vida renovada,
apenas quero viver
não preciso de mais nada!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A Lágrima

A lágrima que te vi chorar
com tanta dor e tristeza,
estive para a apanhar,
mas se ela rolou, não foi por mim
de certeza.
Há muito que por mim não choras,
também eu não merecia,
até já não sei onde moras,
tudo se apagou
naquele dia!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O meu Corpo

Se meu corpo pudesse estar
onde está minha ilusão,
deixaria de sonhar
acabaria a consolação
de me mexer sem andar
e não havia ilusão.


Quero estar onde estou,
também quero estar aí,
quero ser quem não sou,
quero viver o que não vivi,
quero ir para onde não vou.


Essa estrada em linha recta
que vejo a toda a hora,
nunca mais chego à meta,
se chego, vou-me embora
não sigo a sua seta.


Por caminhos desencontrados
não encontro o que procuro,
estão mal sinalizados,
o seu piso, é muito duro,
e meus pés estão encalhados.


A luz não é clara, mas escura,
não deixa ver quem quer passar,
todo aquele que procura
a paz para repousar,
a sua alma terá que ser pura!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O LAR


Hoje fui visitar uma amiga que está internada num lar para a terceira idade.

Semanas antes dera entrada num hospital devido a um AVC.

Como amiga e vizinha, senti a obrigação de visitá-la.

No hospital , ao contrário que muitas vezes se ouve dizer, foi muito bem tratada. Asseio e pessoal competente , tive ocasião de verificar.

Como esta minha amiga é viúva e vive só, tendo apenas como companhia um pequeno cão, não pode estar em casa, apesar de ter família que reside próximo. Mas cada qual tem os seus afazeres , e esta família é muito amiga e dedicada.

Toquei à campainha. Alguém me abriu o portão carregando num botão que estava no interior da casa.

Entrei . Havia um grande pátio com muitas árvores e bancos.

Casualmente a primeira pessoa que vi, foi um antigo chefe que tive numa empresa onde trabalhei há muitas anos.

Cumprimentei-o, conheceu-me e retorquio perguntando se os meus estavam todos bem .

Despedi-me e fui ao que ali me levava, visitar a minha amiga.

A sala estava cheia de idosos. Uma sala enorme com muitos cadeirões e cadeiras que estavam todas ocupadas.

Disse boa tarde, ninguém respondeu.

Aproximei-me da minha amiga que por sinal era a doente com melhor aspecto que ali se encontrava e que mais visitas tinha.

De vez em quando eu olhava em redor e vi que algumas daquelas doentes eram pessoas que tinham residido no meu bairro e que algumas vezes tínhamos trocado algumas palavras.

Tentei falar com uma, mas não me reconheceu. Pareciam zombeis!

Fiquei muito impressionada e triste.

Algumas falaram comigo durante alguns anos e agora não me conhecem.

A vida não é justa por vezes. Sei que elas lutaram tanto na vida, para que quando chegasse esta altura tivessem uma vida mais calma, mas não, a própria vida pregou-lhes uma partida.

Às vezes dizem que os filhos abandonam os pais em casa sem condições!

Não é o caso, aquele lar tem as condições que são exigidas pela entidade respectiva.

A hora da visita passou depressa. Despedi-me do senhor que tinha sido meu chefe que entretanto já tinha recolhido.

Não respondeu. Notei que as suas palavras oscilavam, afinal também não estava muito bem.

Despedi-me da minha amiga que ainda era a que estava melhor.

Beijou-me com sofreguidão e acenou-me até eu transpor a porta da saída

Voltei a visitar novamente a minha amiga. Aparentemente estava na mesma.

Lá me beijou com sofreguidão como se me não visse há muito tempo.

Os outros, homens e mulheres nem levantaram a cabeça quando os cumprimentei, dormitavam todos.

Como sempre , a minha vizinha era a que mais visitas tinha. Senti nela uma alegria imensa quando eu aparecia. Pudera, moramos lado a lado há muitos anos !

Trabalhámos na mesma empresa durante alguns anos, agora que estava reformada e que podia ter algum tempo de laser quis o destino que isso não acontecesse.

Era a minha companhia nalguns passeios que a nossa empresa promove anualmente.

Na despedida das minhas visitas envia sempre muitos beijos para a minha família embora ela já se não lembre dos seus nomes. Não a vou visitar todos os dias derivado à minha vida particular , mas assim que posso lá estou eu. A sala onde se encontram os outros utentes é muito grande. Tem imensos cadeirões e mesas onde recebem as suas refeições. No piso inferior , são os quartos de dormir, alguns estão ocupados com doentes acamados, cada quarto tem duas camas, também há um armário individual para cada internado.

Nas mesas das refeições cabem quatro pessoas as quais têm lugar cativo que é para não fazerem confusão . A alimentação, dizem que é boa, mas como a cozinha fica ali muito próxima e pelo cheirinho que dela sai é de crer.

Tenho reparado que as empregadas são muito carinhosas para com os utentes. Também há um médico que os trata muito bem.

Tomam os remédios a tempo e horas, e se por acaso alguém se magoa como foi o caso da minha vizinha as atenções são redobradas. As minhas visitas são passadas assim, conversando, fazendo que eles se riem com algumas festas e piadas que tento fazer.

E já passara oito meses e a minha vizinha continua a acreditar que está no hospital e que só sairá quando lhe passar o inchaço que tem numa perna. Continuo a visitá-la , mas agora tenho outras amigas. Julgo que sempre tive um certo jeito para lidar com a terceira idade.

Entre os pacientes estão duas idosas que não consigo saber qual as suas idades.

Uma diz que tem quarenta anos, a outra diz que tem trinta. mas as duas já ultrapassaram os oitenta.

A uma pergunto quem lhe deu a roupa tão bonita que traz, responde-me que foi à baixa mais a mana comprar. Eu não a desminto pois ela não tem nenhuma mana, ou talvez tivesse tido.

A esta chamo menina Ivone a outra é a menina Ana, são os seus verdadeiros nomes.

Adoram a minha companhia, e ficam com outra cara quando me despeço delas.

A menina Ana teve há alguns anos , uma mercearia na minha rua.

Infelizmente veio-lhe a tal doença horrível "Alzeimer".

Agora, passa os dias a fingir que descasca batatas, aspira o chão com a bengala julgando que é o aspirador e até me disse que mandou o marido ir buscar uma saca de cebolas.

Por vezes cozinha arroz de ervilhas e convida-me para jantar com ela, claro que finjo que aceito.

Como na sala não há barulho, a menina Ana vira-se para mim e diz: qualquer dia meto estas raparigas numa camioneta e vão todas apanhar azeitonas!

As raparigas são as idosas que estão no mesmo estado do que ela

Outras vezes finge que está a fazer bainhas à saia, e mimicamente vai apanhando as linhas que só ela vê no chão. mas o mais agradável é a boa disposição que esta senhora tem e o seu sorriso encantador.

Com respeito à menina Ivone , não sei qual a sua idade, nem sei qual a sua doença. fala muito baixinho mas muito acertado.Tem uns lindos olhos azuis, uma pele branquinha, umas mãos muito finas, tudo nela brilha!

Está sempre muito bem vestida, mas nunca lá vi nenhum familiar. Diz-me que quem lhe comprou a roupa foram a mana e a mãe numa loja da baixa.

Diz que a mãe tem vinte anos, ora ele deve de ter oitenta! Mas para a ouvir bem tenho que encostar o meu ouvido à sua boca.

Passa os dias sentada no mesmo cadeirão, com um xaile nas pernas e só fala quando me meto com ela. Quase que me vou esquecendo da minha vizinha.

Outro dia, a menina Ivone levantou-se rapidamente e convidou-me para ir com ela a casa da mãe e perguntar-lhe qual a razão de não a vir visitar! Desculpei-me com o mau tempo e ela resignou-se, nunca mais falou no assunto.

Estes são os assuntos que aquelas adoráveis senhoras têm comigo cada vez que as vou visitar, pois elas já fazem parte da minha intenção de visitas.

Estou pensando continuar a visitá-las mesmo que a minha vizinha saia um dia para a sua casa.

Agora sei que um sorriso e umas palavras amigas conseguem pôr algumas almas felizes.

Certo dia, fui informada que o meu antigo chefe tinha falecido, mas o que mais me impressionou foi que na vésperas tínhamos estado a falar a relembrar o tempo que ele fora meu chefe.

As senhoras minhas amigas já estão acamadas, por isso já não vale a pena visitá-las !

A minha vizinha está a fazer hemodiálise três vezes por semana, e nestes dias está tão cansada que não recebe visitas !

A sua memória está a enfraquecer dia a dia.

Agora resta-me olhar para a sua janela e lembrar-me das vezes que íamos aos passeios que a nossa empresa organiza para os reformados!

Desisti de ser uma MADRE TERESA!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Não partas

Não partas já meu irmão,
não partas porque não quero,
vai-me fazer falta
o teu carinho e compreensão
que sempre me deste e retenho
no meu coração.

Não partas porque ainda é cedo,
não partas que tenho medo,
onde irei buscar as tuas palavras?
Sabes que sempre te amei,
foste meu amparo enquanto criança,
ao teu lado sempre andei.

Por isso deixa-te ficar ao meu lado,
quando fores, iremos os dois,
espera mais um pouco,
o nosso lugar está guardado,
ninguém tomará posse dele,
não partas meu irmão amado,
não partas!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Férias, acabou o verão

Agosto está no fim, / o verão está a acabar,
já nada resta de mim / apenas o amor pelo mar.

Nunca se zanga comigo / quer esteja calmo ou zangado,
será sempre meu amigo / esse grande mar salgado,

Com ele falo livremente / não tenho palavras de troca /
conhece meus pensamentos / e não se ri de troça,

Falo com ele calada / meus olhos o fitam lá longe /
vejo-o por todos os lados / e de mim nunca se esconde.